Estrutura do Projecto
Horizontes da Infância: A Viagem da Aprendizagem, uma série documental de Cris Pelo Mundo, organiza-se em 6 episódios de 30 minutos, articulados por uma mesma linha narrativa: a viagem de Cris Stilben, Igor Duarte, Emmanuel e Francisco por territórios de língua portuguesa, ao encontro de crianças, famílias, escolas e comunidades cujas experiências revelam diferentes modos de aprender, crescer, pertencer e imaginar o futuro.
A série é construída a partir de um dispositivo narrativo de proximidade, em que a família protagonista funciona como fio condutor emocional, relacional e dramático. Em cada episódio, a chegada a um novo território desencadeia um processo de imersão, escuta e descoberta, aproximando o espectador de contextos culturais, sociais e educativos singulares. A presença da família permite que o encontro seja vivido de forma concreta e identificável, transformando cada episódio numa experiência simultaneamente íntima e aberta ao mundo.
A estrutura geral da série apoia-se em quatro movimentos recorrentes. Num primeiro momento, dá-se a chegada ao território e a apresentação do contexto humano, geográfico e cultural. Num segundo momento, a família entra em contacto com crianças, famílias, escolas e comunidades locais, observando rotinas, práticas de aprendizagem, relações afectivas e modos de transmissão. Num terceiro momento, a experiência exterior encontra ressonância no interior da própria família protagonista, criando um espaço de reflexão, comparação sensível e elaboração emocional. Num quarto e último momento, cada episódio fecha com uma síntese poética e reflexiva sobre aquilo que foi descoberto, ligando a experiência singular do território às grandes questões da série: o que significa crescer, aprender e habitar o mundo em comum?
Cada episódio desenvolve um tema central, ligado a um território e a uma experiência específica de infância. Em Portugal, a série explora a ideia de pertença e os vínculos entre escola, casa, comunidade e território. No Brasil, observa a infância como espaço de diversidade, criatividade e convivência. Em Cabo Verde, a insularidade torna-se chave para pensar autonomia, horizonte e projecto de vida. Em Moçambique, a aprendizagem é observada na relação entre território, tradição, natureza e transmissão intergeracional. Em Angola, a infância surge num contexto de transformação, cruzando memória, cidade, escola e expectativa de futuro. Em São Tomé e Príncipe, o percurso culmina numa reflexão mais contemplativa sobre cuidado, escuta, ambiente e futuro comum.
Do ponto de vista formal, a série combina observação documental, presença em cena, escuta espontânea, momentos de contextualização e uma linguagem visual atenta aos gestos, aos rostos, aos espaços e aos ritmos da vida quotidiana. Não se trata de uma série expositiva nem de uma comparação institucional entre realidades educativas, mas de uma proposta humanista, sensível e cinematográfica, onde a aprendizagem é entendida como experiência vivida e relacional.
A unidade da série é garantida pela continuidade da família protagonista, pela coerência temática em torno da infância e da aprendizagem, e por uma progressão narrativa que parte do encontro com o outro para regressar sempre a uma pergunta comum: que mundo estamos a ensinar às crianças, e o que podem elas ensinar-nos sobre o futuro que partilhamos?